A fome psicológica é a vontade de comer que nasce de emoções, associações ou estímulos visuais, e não da fome física. A fome psicológica pode surgir como fome emocional ou fome visual, e ambas podem levar a comer em excesso quando a saciedade deixa de ser notada.
A fome psicológica é comum a todas as pessoas, mas algumas pessoas lidam com a fome psicológica com mais facilidade do que outras. A fome psicológica pode tornar-se mais intensa durante festas e refeições abundantes, quando emoções, associações com alimentos, aromas e pratos apelativos se tornam especialmente evidentes.
A versão curta
- A fome psicológica é um de três mecanismos da fome, a par da fome mecânica e da fome neuroendócrina.
- A fome emocional surge quando uma pessoa tenta, de forma consciente ou inconsciente, comer para calar emoções.
- A fome visual surge quando a simples visão de comida desperta de imediato o apetite através da memória do sabor, da textura e da temperatura.
- As associações com alimentos podem enfraquecer quando alimentos festivos habituais também têm lugar em dias comuns, em vez de ficarem presos a um único momento ou sentimento.
- Uma pausa antes de comer pode ajudar a perceber qual é o mecanismo de fome ativo e a escolher comida com base no vazio no estômago.
O que é a fome psicológica?
A fome psicológica é um mecanismo de fome ligado a emoções, associações e estímulos externos. A fome psicológica é aqui descrita como um de três mecanismos da fome, juntamente com a fome mecânica e a fome neuroendócrina.
A fome psicológica teve originalmente um papel evolutivo. A fome psicológica ajudava os primeiros seres humanos a recordar alimentos seguros ao criar uma ligação neural entre a comida e o alívio da fome.
A fome psicológica é menos necessária quando uma pessoa consegue fazer uma escolha calma em relação aos alimentos. A fome psicológica pode, ainda assim, interferir, porque publicidade, aromas agradáveis, sabores intensos e produtos apelativos podem desencadear a vontade de comer.
A fome psicológica também é a base sobre a qual podem formar-se atitudes destrutivas e relações pouco saudáveis com a comida. A fome psicológica também está na base da fome emocional e da fome visual.
O que é a fome emocional?
A fome emocional é a vontade de comer quando uma pessoa tenta, de forma consciente ou inconsciente, comer para apagar emoções. A fome emocional surge muitas vezes de forma súbita e despercebida, num momento em que um choque emocional enfraquece o controlo.
A fome emocional pode fazer com que a saciedade pareça mais discreta do que na fome física. A fome emocional pode, por isso, levar uma pessoa a comer até surgir dor de estômago.
A fome emocional pode estar ligada a sentimentos reprimidos ou a uma tentativa de substituir experiências interiores em falta. A fome emocional pode estar associada à procura de poder, calma, satisfação, desejo, amor, liberdade, segurança, pertença, paz interior, orgulho, reconhecimento, valor próprio, justiça ou controlo.
A comida torna-se muitas vezes uma forma de preencher o que parece vazio na vida. A fome emocional é uma forma de fome psicológica construída em torno desse padrão.
O que é a fome visual?
A fome visual é uma forma de fome psicológica em que ver comida basta para despertar o apetite. A fome visual torna-se muitas vezes especialmente evidente durante festas.
A fome visual pode começar quando uma pessoa olha para um prato e recorda de imediato o sabor, a temperatura e a textura. A fome visual também pode levar a comer em excesso.
A fome visual pode tornar-se mais intensa quando uma pessoa sente internamente que não haverá comida suficiente para todos. A comida é muitas vezes percecionada de forma subconsciente como um elemento de segurança, porque a presença de comida está associada à vida e à proteção.
Uma resposta simples à fome visual é falar consigo de forma calma e responder à necessidade de segurança. Uma pessoa pode lembrar ao cérebro que existe comida suficiente, que tudo pode ser provado, que é possível sentir saciedade e que um prato favorito pode sempre voltar a ser preparado noutro dia.
Como pode lidar com a fome psicológica?
A fome psicológica é característica de todas as pessoas, mas as pessoas lidam com a fome psicológica de formas diferentes. As dificuldades com a fome psicológica podem ter razões variadas, incluindo padrões alimentares pouco saudáveis aprendidos na infância ou um nível baixo de inteligência emocional.
Um passo útil é encontrar e remover associações entre um determinado alimento e uma pessoa, um lugar, um momento ou um sentimento. Pratos festivos também podem ser consumidos em dias normais, se existir vontade de os comer.
Outro passo útil é perceber que necessidades ou emoções estão a ser cobertas com comida e encontrar outra forma de lhes dar resposta. Outro passo útil é aprender a parar e observar as sensações antes de repetir a porção.
Uma pausa pode ajudar uma pessoa a avaliar qual é o mecanismo de fome ativo naquele momento. A alimentação pode então basear-se na sensação de vazio no estômago, em vez de assentar num impulso emocional ou visual.
Como são as experiências pessoais de fome psicológica?
A experiência pessoal pode mostrar como a fome psicológica funciona no dia a dia. Um exemplo descreve fome emocional em cafés cheios de pratos bonitos e apetitosos, onde a vontade de comer tudo de uma vez levou a excessos.
Uma abordagem mais consciente nesse exemplo começou com perguntas sobre o que o corpo queria: proteína ou hidratos de carbono, uma certa textura, uma certa temperatura, algo leve ou algo mais rico e denso. Essas perguntas ajudaram a deslocar a escolha de uma primeira reação emocional para uma decisão mais calma e consciente.
Outro exemplo descreve uma forte associação entre chá verde e uma pessoa importante que transmitia calma e a sensação de ser necessária. Nesse exemplo, beber chá verde com frequência foi reconhecido como uma associação emocional e não como uma simples preferência de sabor.
Um terceiro exemplo descreve dietas rígidas, autorização rara para comer doces e, mais tarde, excessos com doces em aniversários. A autorização regular para comer doces, em conjunto com trabalho com um psicólogo, ajudou essa pessoa a notar se a vontade de doces vinha do estômago ou da mente.
Perguntas frequentes
Em que é que a fome psicológica é diferente da fome física?
A fome psicológica é movida por emoções, associações ou pela visão e pelo cheiro da comida, e não pelo vazio no estômago. A fome física está ligada à necessidade do corpo de receber alimento, enquanto a fome psicológica pode surgir mesmo quando o estômago não está vazio.
A fome emocional pode levar uma pessoa a comer em excesso?
A fome emocional pode levar a comer em excesso porque a sensação de saciedade pode parecer mais discreta do que durante a fome física. A fome emocional pode, por isso, continuar até surgir desconforto ou dor de estômago.
Porque é que olhar para comida me dá vontade de comer?
A fome visual pode começar quando a visão de comida faz regressar memórias de sabor, textura e temperatura. A fome visual pode tornar-se ainda mais forte quando a comida está ligada, na mente, à segurança ou ao receio de que não chegue para todos.
O que pode ajudar no momento da fome psicológica?
Uma pausa curta pode ajudar a perceber se a vontade de comer vem do estômago, das emoções ou de estímulos visuais. Um lembrete interior calmo de que a comida está disponível e de que haverá outra oportunidade para comer também pode reduzir o sentido de urgência.