A diabetes tipo 1 é uma condição crónica em que o pâncreas produz pouca insulina ou nenhuma insulina, e a vida diária com diabetes tipo 1 exige controlo contínuo da glicemia, atenção à alimentação e uso de insulina. A história de uma mulher mostra que viver com diabetes tipo 1 inclui não só rotinas práticas, mas também uma carga emocional séria.
Uma nutricionista no material de origem explica o que são a diabetes tipo 1 e a diabetes tipo 2, como se distinguem, que sintomas e complicações importam, e porque não é atualmente possível prevenir a diabetes tipo 1. Margarita Gorchakova descreve depois o diagnóstico aos 14 anos, anos de monitorização constante, experiências médicas difíceis e o impacto psicológico de viver com a condição.
Resumo rápido
- A diabetes tipo 1 é uma condição crónica em que o pâncreas produz pouca insulina ou nenhuma insulina.
- A diabetes tipo 1 e a diabetes tipo 2 são condições diferentes, e essa diferença afeta o tratamento e a gestão da alimentação.
- Os sintomas da diabetes tipo 1 podem surgir de forma súbita e podem incluir sede invulgar, urinar com frequência, fome constante, perda de peso, fraqueza e visão turva.
- A diabetes tipo 1 não pode atualmente ser prevenida, e o tratamento centra-se no controlo da glicemia com insulina, alimentação e estilo de vida.
- A história de Margarita Gorchakova mostra que viver com diabetes tipo 1 pode envolver medo, exaustão e um longo processo de aceitação psicológica.
O que é a diabetes tipo 1?
A diabetes tipo 1 é uma condição crónica em que o pâncreas produz pouca insulina ou nenhuma insulina. A insulina é a hormona que o corpo usa para transportar o açúcar para as células e produzir energia.
Vários fatores, incluindo a genética e alguns vírus, podem desencadear a diabetes tipo 1. A diabetes tipo 1 surge geralmente na infância ou na adolescência, mas a diabetes tipo 1 também pode desenvolver-se em adultos.
A diabetes tipo 1 é atualmente incurável, e o tratamento visa regular a glicemia com insulina, alimentação e estilo de vida para prevenir complicações.
Em que é que a diabetes tipo 1 é diferente da diabetes tipo 2?
A diabetes tipo 1 e a diabetes tipo 2 distinguem-se pela forma como o corpo deixa de gerir o açúcar normalmente. Na diabetes tipo 1, o sistema imunitário destrói por engano as células beta, deixando o corpo com quase nenhuma insulina.
A diabetes tipo 2 não é um processo autoimune da mesma forma. Na diabetes tipo 2, as células respondem mal à insulina, e em alguns casos o pâncreas também não produz insulina suficiente para as necessidades do corpo.
A diabetes tipo 2 era antes chamada diabetes do adulto, mas tanto a diabetes tipo 1 como a diabetes tipo 2 podem começar na infância ou na idade adulta. A diabetes tipo 2 é mais comum em adultos e pessoas idosas, embora os casos em crianças e adolescentes tenham aumentado.
A diabetes tipo 2 também não tem cura, mas a perda de peso, uma alimentação adequada e o exercício podem ajudar a gerir a diabetes tipo 2. Se a alimentação e o exercício não forem suficientes, o tratamento da diabetes tipo 2 também pode incluir medicamentos como a metformina ou terapêutica com insulina.
Que sintomas pode causar a diabetes tipo 1?
Os sintomas da diabetes tipo 1 podem surgir de forma súbita. Os sintomas da diabetes tipo 1 incluem sede acima do habitual, urinar com frequência, fome constante, perda de peso sem explicação, irritabilidade ou outras alterações de humor, fadiga e fraqueza, e visão turva.
A diabetes tipo 1 em crianças também pode incluir urinar na cama durante a noite numa criança que antes não urinava na cama durante a noite.
Porque é que a diabetes é perigosa ao longo do tempo?
A diabetes é perigosa ao longo do tempo porque as complicações da diabetes podem afetar órgãos principais, incluindo o coração, os vasos sanguíneos, os nervos, os olhos e os rins. O diagnóstico atempado e o tratamento adequado são importantes porque níveis normais de glicemia podem reduzir o risco de muitas complicações.
As complicações da diabetes podem levar à incapacidade e podem até ameaçar a vida. O material de origem enumera doença cardiovascular, lesão nervosa, problemas dos nervos digestivos, lesão renal, lesão ocular, lesão nos pés, infeções da pele e da boca, complicações na gravidez e risco de demência entre as possíveis complicações.
A glicemia elevada ao longo do tempo pode danificar os pequenos vasos sanguíneos que nutrem os nervos, especialmente nas pernas. A glicemia elevada ao longo do tempo também pode danificar o sistema de filtração dos rins e os vasos sanguíneos da retina.
A diabetes também pode aumentar o risco de infeções da pele e da boca, doença das gengivas e boca seca. O mau controlo da glicemia durante a gravidez pode ser perigoso tanto para a mãe como para a criança.
O que causa a diabetes tipo 1 e quem tem maior risco?
A causa exata da diabetes tipo 1 é desconhecida. Na diabetes tipo 1, o próprio sistema imunitário do corpo, que normalmente combate bactérias e vírus nocivos, destrói habitualmente as células dos ilhéus pancreáticos produtoras de insulina.
Outras causas possíveis incluem genética e exposição a vírus e a outros fatores ambientais. Os fatores de risco para a diabetes tipo 1 incluem ter um pai, mãe ou irmão com diabetes tipo 1, ter determinados genes, viver mais longe do equador e a idade.
A diabetes tipo 1 pode surgir em qualquer idade, mas o material de origem refere 2 picos evidentes. Os 2 picos evidentes referidos no material de origem são entre os 4 e os 7 anos e entre os 10 e os 14 anos.
É possível prevenir a diabetes tipo 1?
A diabetes tipo 1 não pode atualmente ser prevenida. O material de origem diz que a ciência está a trabalhar na prevenção e em formas de evitar mais danos nas células dos ilhéus em pessoas diagnosticadas recentemente.
Como é que Margarita Gorchakova reparou pela primeira vez na diabetes tipo 1?
Margarita Gorchakova reparou pela primeira vez na diabetes tipo 1 através de sintomas persistentes que duraram cerca de 3 meses. Margarita Gorchakova descreve sede constante, idas frequentes à casa de banho, fraqueza, sonolência, lentidão e um apetite muito forte.
Margarita Gorchakova diz que a avó a levou um dia para o trabalho, onde a glicemia lhe foi medida. Margarita Gorchakova recorda um valor de 16 e diz que a formação médica dos avós os ajudou a perceber que algo estava errado.
Margarita Gorchakova diz que muitas crianças e adultos chegam ao hospital já em coma porque a glicemia elevada pode não ser reconhecida durante muito tempo. Margarita Gorchakova diz que os sintomas comuns são muitas vezes explicados como coisas normais do dia a dia.
Margarita Gorchakova diz que foi internada num hospital pediátrico, onde aprendeu a usar canetas de insulina, a calcular doses de insulina e a medir a glicemia. Margarita Gorchakova diz que o diagnóstico se tornou um ponto de viragem que dividiu a vida em antes e depois.
Como é o dia a dia com diabetes tipo 1?
O dia a dia com diabetes tipo 1 assenta num controlo constante. Margarita Gorchakova diz que viver com diabetes tipo 1 significa monitorizar a glicemia, prestar muita atenção à alimentação, contar hidratos de carbono e calcular doses de insulina para que a glicemia não suba demasiado nem desça em excesso.
Margarita Gorchakova diz que a principal dificuldade é o corpo nem sempre se comportar de forma previsível. Margarita Gorchakova diz que a glicemia pode ser afetada por muitos fatores, incluindo a atividade física e o ciclo menstrual, e que mesmo refeições repetidas e rotinas repetidas de insulina nem sempre produzem resultados idênticos.
Margarita Gorchakova diz que a vida com diabetes tipo 1 não depende sobretudo de uma dieta rígida, mas sim de acompanhamento e cálculos. Margarita Gorchakova diz que a diabetes tipo 1 permite uma escolha alimentar mais ampla, mas o tipo e a quantidade de hidratos de carbono continuam a ter de ser monitorizados com cuidado.
Margarita Gorchakova diz que os hidratos de carbono rápidos, os hidratos de carbono mais lentos, comer em excesso e o álcool têm todos de ser considerados ao ajustar a insulina. Margarita Gorchakova diz que a liberdade no ajuste das doses também cria mais liberdade na escolha dos alimentos.
Como é que a comunicação médica afetou Margarita Gorchakova?
A comunicação médica afetou Margarita Gorchakova de forma profunda e muitas vezes dolorosa. Margarita Gorchakova diz que, após episódios de mau controlo da glicemia e hipoglicemia, ouviu repetidamente que era irresponsável e recebeu avisos com descrições assustadoras de cegueira, insuficiência renal, gangrena e limitações futuras.
Margarita Gorchakova diz que alguns médicos lhe disseram que devia ficar em casa, pesar os alimentos e evitar trabalho de escritório. Margarita Gorchakova diz que nem todos os médicos eram assim, mas o medo de ser repreendida acompanhou-a durante anos.
Margarita Gorchakova diz que um conflito com um médico a levou a sair de uma consulta e a evitar a clínica durante cerca de 3 anos. Margarita Gorchakova diz que comprou insulina com o próprio dinheiro porque o medo de voltar a um médico se tinha tornado demasiado forte.
Margarita Gorchakova diz que a abordagem assustadora não a motivou. Margarita Gorchakova diz que a abordagem assustadora a empurrou para a negação e para ignorar a doença, em vez de a levar a cuidar-se melhor.
O que mudou quando Margarita Gorchakova encontrou outra endocrinologista?
Outra endocrinologista mudou a experiência de Margarita Gorchakova ao substituir restrição e culpa por observação cuidadosa e conversa. Margarita Gorchakova diz que, após uma intoxicação grave e uma estadia nos cuidados intensivos, uma endocrinologista lhe pediu para registar tudo o que comia, a hora, a quantidade de insulina que escolhia e a razão dessa escolha.
Margarita Gorchakova diz que a endocrinologista não proibiu alimentos e não impôs vigilância constante. Margarita Gorchakova diz que as conversas diárias sobre as próprias decisões pareceram um estilo de cuidado completamente novo.
Margarita Gorchakova diz que a experiência a ajudou a perceber que o problema não era simplesmente irresponsabilidade. Margarita Gorchakova diz que a experiência lhe mostrou que lhe tinha faltado ajuda e atenção à sua condição real.
Margarita Gorchakova também descreve práticas alimentares hospitalares antigas que tratavam as dietas para diabéticos de forma demasiado geral. Margarita Gorchakova diz que refeições hospitalares baixas em hidratos de carbono podiam não corresponder à insulina já administrada, o que fazia depois a glicemia descer demasiado.
Como é que a diabetes tipo 1 afetou Margarita Gorchakova psicologicamente?
A diabetes tipo 1 afetou Margarita Gorchakova psicologicamente através de medo, fixação, pânico e exaustão. Margarita Gorchakova diz que acabou por perceber que a glicemia instável também estava ligada ao sofrimento psicológico, sobretudo ao medo da hipoglicemia.
Margarita Gorchakova diz que o medo da glicemia baixa a levava muitas vezes a injetar menos insulina de propósito para que a glicemia ficasse mais alta e parecesse mais segura. Margarita Gorchakova diz que anos de conflito com médicos e familiares esconderam o facto de estar a lidar com uma verdadeira perturbação psicológica, e não com simples descuido.
Margarita Gorchakova diz que os ataques de pânico começaram quando a glicemia descia, e os pensamentos constantes sobre a glicemia acabaram por se transformar em apatia. Margarita Gorchakova diz que passou a ver os problemas de saúde mental como doenças que merecem a mesma atenção séria que as doenças de outros órgãos.
Margarita Gorchakova diz que uma psiquiatra diagnosticou uma perturbação ansioso-depressiva ligada à fixação na glicemia e na comida, e que o trabalho posterior com uma psicóloga se centrou no trauma e na mudança dessa fixação. Margarita Gorchakova diz que a aceitação da doença ainda está em curso, mas que começar o trabalho psicológico foi importante.
O que é que Margarita Gorchakova quer que outras pessoas com doença crónica ouçam?
Margarita Gorchakova quer que outras pessoas com doença crónica ouçam que uma doença crónica grave afeta o bem-estar psicológico. Margarita Gorchakova diz que as pessoas não devem assumir que as dificuldades emocionais resultam apenas de pouco autocontrolo ou falta de responsabilidade.
Margarita Gorchakova diz que, durante muitos anos, a diabetes pareceu um estigma e um peso insuportável. Margarita Gorchakova diz que muitas vezes quis negar a doença porque tudo o que estava ligado à doença trazia emoções negativas, medo e dor.
Margarita Gorchakova diz que escreve mensagens de incentivo nas redes sociais para que outras pessoas que vivem com doença se possam reconhecer nas suas palavras. Margarita Gorchakova diz que perder o controlo ou ter dificuldade em manter uma rotina saudável de glicemia é algo que acontece, e que aprender a aceitar-se é importante.
Perguntas frequentes
O que é a diabetes tipo 1 em termos simples?
A diabetes tipo 1 é uma condição crónica em que o pâncreas produz pouca insulina ou nenhuma insulina. A insulina é necessária para levar o açúcar às células e produzir energia, por isso o tratamento centra-se no controlo da glicemia com insulina, alimentação e estilo de vida.
Em que é que a diabetes tipo 1 é diferente da diabetes tipo 2?
A diabetes tipo 1 é uma condição autoimune em que o sistema imunitário destrói as células beta produtoras de insulina. A diabetes tipo 2 envolve uma resposta deficiente à insulina e, por vezes, também uma produção reduzida de insulina.
Quais são os sinais de alerta da diabetes tipo 1?
Os sinais de alerta da diabetes tipo 1 podem surgir de forma súbita e incluem sede invulgar, urinar com frequência, fome constante, perda de peso sem explicação, fadiga, fraqueza e visão turva. Nas crianças, urinar na cama durante a noite também pode ser um sinal.
É possível prevenir a diabetes tipo 1?
A diabetes tipo 1 não pode atualmente ser prevenida. O material de origem diz que a investigação continua na prevenção e na limitação de mais danos nas células dos ilhéus após o diagnóstico.
As pessoas com diabetes tipo 1 podem comer alimentos variados?
Margarita Gorchakova diz que a escolha alimentar na diabetes tipo 1 pode ser mais ampla do que muitas pessoas imaginam. Margarita Gorchakova diz que a questão principal não é a restrição total, mas sim a monitorização cuidadosa dos hidratos de carbono e a correspondência entre a insulina e a refeição.
A diabetes tipo 1 pode afetar o bem-estar mental?
A história de Margarita Gorchakova mostra que a diabetes tipo 1 pode ter um forte impacto psicológico. Margarita Gorchakova descreve medo da hipoglicemia, ataques de pânico, apatia e um longo processo de trabalho em direção à aceitação.