A violência alimentar é pressão, restrição ou imposição à volta da comida, e pode levar a aversão a alimentos, medo de experimentar alimentos novos, excessos e padrões alimentares desorganizados. A violência alimentar pode incluir ameaças, recompensas, obrigar a acabar a refeição, dar comida em excesso e usar a comida como condição para a obediência.
Uma orientação calma e razoável ajuda as crianças a construir uma relação mais saudável com a comida. Uma orientação calma e razoável significa respeitar a fome e a saciedade, evitar forçar e oferecer alimentos sem transformar a comida em castigo ou recompensa.
Resumo rápido
- A violência alimentar inclui tanto restringir a comida como obrigar uma criança a comer mais do que quer.
- Obrigar uma criança a comer pode levar a aversão a certos alimentos, medo de provar alimentos novos e fixação em produtos familiares.
- Usar a comida como motivação pode empurrar uma criança para comer às escondidas, recusar-se a comer ou desenvolver padrões alimentares instáveis mais tarde.
- A orientação dos pais na alimentação das crianças é necessária, mas a orientação dos pais funciona melhor num formato suave e de apoio.
- Menos pressão à volta da comida costuma significar menos resistência tanto às refeições regulares como aos alimentos novos.
O que é violência alimentar?
A violência alimentar é coerção à volta da comida, e a violência alimentar pode aparecer tanto na restrição como no excesso. A violência alimentar inclui situações como “não comes enquanto não fizeres isso”, obrigar uma criança a acabar tudo o que está no prato, ou dar apenas os alimentos que os adultos consideram pessoalmente úteis.
Obrigar a comer alimentos “certos” pode criar uma forte aversão a certos alimentos. Obrigar a comer alimentos “certos” pode mais tarde levar a rejeição aberta, reflexo de vómito perante alimentos em que a família insistiu, e neofobia alimentar, ou seja, medo de experimentar comida nova e fixação apenas em alimentos familiares.
A pressão para acabar toda o alimento do prato pode manter-se durante anos. A pressão para acabar toda o alimento do prato pode mais tarde fazer com que uma pessoa não consiga deixar comida no próprio prato ou no prato de outra pessoa, e esse padrão pode ser seguido de excessos alimentares e depois obesidade.
Usar a comida como motivação pode levar em duas direções diferentes. Usar a comida como motivação pode empurrar uma criança para comer às escondidas, roubar comida ou dinheiro para comida, e comer depressa com medo de passar fome, ou para greves de fome, recusa, sabotagem e longos períodos sem comer seguidos de excessos ao fim do dia.
A violência alimentar pode começar antes do nascimento?
A violência alimentar pode começar ainda antes do nascimento, segundo a fonte. A violência alimentar pode começar quando a mãe faz dieta durante a gravidez ou não tem oportunidade de comer de forma suficiente.
A escassez precoce à volta da comida pode afetar o comportamento alimentar posterior da criança. A escassez precoce à volta da comida pode levar a um padrão em que a criança come como se a comida fosse escassa e não consegue sentir-se saciada.
Como podem os pais incentivar um comportamento alimentar saudável numa criança?
Um comportamento alimentar saudável numa criança precisa de orientação dos pais, mas um comportamento alimentar saudável numa criança não precisa de controlo duro. Um comportamento alimentar saudável numa criança é melhor apoiado por limites racionais e por um formato suave e de apoio.
Uma criança sabe quando tem fome e quando está saciada. Uma criança também pode dizer que está saciada e depois pedir mais comida 5 a 10 minutos depois, e a fonte diz que essa resposta é normal.
As crianças preferem muitas vezes alimentos simples, como massa simples ou trigo-sarraceno. As crianças também reagem muito ao aspeto da comida, por isso uma apresentação apelativa conta quando se oferece algo novo.
O interesse por alimentos novos aparece muitas vezes naturalmente com o tempo. O interesse por alimentos novos pode ser incentivado ajustando o comportamento dos adultos em vez de obrigar a criança a comer.
Uma criança deve comer com um horário rígido?
Alimentar uma criança apenas segundo um horário rígido não é apresentado pela fonte como a melhor abordagem. Alimentar uma criança apenas segundo um horário rígido pode fazer com que a criança sinta fome muito antes da hora da refeição e depois coma em excesso quando a comida finalmente chega.
Chamar as crianças para o pequeno-almoço ou para o almoço continua a ser normal. Chamar as crianças para o pequeno-almoço ou para o almoço é diferente de ligar a alimentação a uma hora exata sem flexibilidade.
Recusar um lanche porque a criança “ainda agora comeu” também é desencorajado na fonte. Recusar um lanche porque a criança “ainda agora comeu” ignora o facto de a quantidade de comida ingerida nem sempre corresponder ao seu valor nutricional.
Porque pode a fome parecer tão intensa para uma criança?
A fome pode estar ligada a uma sensação de falta de amor a um nível subconsciente, segundo a perspetiva da especialista citada na fonte. A fome pode ser sentida com especial intensidade porque a comida é uma das primeiras formas de proteção que uma criança conhece.
Períodos longos de fome podem fazer uma criança sentir-se não amada ou abandonada. Períodos longos de fome também podem surgir quando os adultos manipulam com a comida, afastam a criança da mesa, ou recusam comida até os trabalhos de casa ou as tarefas estarem feitos.
Mostrar amor com comida significa dar mais de comer?
Mostrar amor com comida não significa alimentar uma criança em excesso. Mostrar amor com comida não é o mesmo que provar amor com guloseimas constantes, porções grandes ou pressão para acabar tudo.
Os avós são referidos na fonte como pessoas que por vezes usam a comida dessa forma. Os avós podem pressionar as crianças para acabarem as refeições, mostrar ofensa quando a comida é recusada, ou comprar qualquer produto pedido, mesmo quando o produto é considerado pouco saudável.
Os adultos precisam de outras formas de mostrar cuidado e afeto. Os adultos que dependem apenas da comida para expressar cuidado podem mais tarde deixar uma criança com dificuldade em expressar sentimentos de forma saudável e com problemas relacionados com a comida.
O que devem os pais fazer quando uma criança pede batatas fritas ou chocolate?
A recusa radical não é recomendada na fonte quando uma criança pede batatas fritas ou chocolate. A recusa radical pode fazer com que a criança mais tarde coma em excesso os alimentos proibidos e esconda esse comportamento dos adultos.
Transformar alimentos “pouco saudáveis” em recompensa também é desencorajado na fonte. Transformar alimentos “pouco saudáveis” em recompensa pode criar uma associação pouco saudável que mais tarde causa problemas.
A uma criança mais velha pode dizer-se que alguns alimentos não são para todos os dias porque não trazem benefício. Uma criança muito pequena não precisa desses alimentos de todo, segundo a fonte.
Vale a pena procurar alternativas. As alternativas são hoje mais fáceis de encontrar porque a oferta de alimentos é suficientemente ampla para procurar um substituto mais saudável ou um produto novo e saboroso que também agrade a uma criança.
Como podem os pais apresentar alimentos novos com menos resistência?
Menos pressão significa normalmente menos resistência quando se apresentam alimentos novos. Menos pressão ajuda porque as crianças reagem muitas vezes contra uma insistência forte.
Uma alimentação equilibrada e variada é importante, mas uma alimentação equilibrada e variada não pode ser imposta através de pratos pouco apelativos ou demasiado complexos. As crianças mostram-se muitas vezes mais abertas a pratos simples ou a alimentos isolados.
A apresentação também conta. A apresentação pode ser divertida e apelativa para que a comida pareça atrativa para a criança antes mesmo de a criança provar.
As crianças ganham muitas vezes interesse por alimentos novos por iniciativa própria com o tempo. As crianças podem ser convidadas com suavidade a provar ou cheirar um alimento, observar um adulto a apreciar um alimento, ou ouvir um comentário casual positivo, mas a fonte diz que os adultos não devem insistir.
Porque é que as refeições não devem ser associadas a desenhos animados?
Usar desenhos animados para motivar a alimentação não é recomendado na fonte. Usar desenhos animados durante as refeições desvia a atenção da criança da comida e interfere com a perceção da saciedade.
Uma perceção reduzida da saciedade pode ter consequências a longo prazo, segundo a fonte. Uma perceção reduzida da saciedade está associada na fonte a compulsão alimentar, obesidade e perturbação metabólica.
O que mostram as histórias pessoais sobre as consequências da violência alimentar
As histórias pessoais da fonte descrevem consequências duradouras da pressão alimentar, da restrição alimentar e dos comentários sobre o corpo. As histórias pessoais incluem padrões alimentares instáveis, evitamento de certos alimentos, alimentação muito seletiva, ingestão compulsiva, longos períodos sem comer e sofrimento ligado à imagem corporal.
Uma história descreve restrição ligada ao desporto e pressão repetida para permanecer com fome ou comer muito pouco. Essa história liga a restrição na infância a excessos alimentares mais tarde, foco intenso em doces e fast food, e alimentação irregular.
Outra história descreve troça e crítica sobre o tamanho do corpo durante a adolescência. Essa história liga comentários familiares repetidos a uma redução cada vez maior da ingestão alimentar e a uma visão severamente negativa do corpo.
Outras histórias descrevem a obrigação de acabar as refeições, ficar horas à mesa e ser assustado com avisos falsos sobre alimentos. Essas histórias ligam a pressão alimentar e o medo a dificuldade duradoura em comer com tranquilidade e em experimentar alimentos com calma.
Perguntas frequentes
O que conta como violência alimentar?
A violência alimentar inclui obrigar uma criança a comer, negar comida como castigo, usar a comida como condição e pressionar uma criança para acabar tudo o que está no prato. A violência alimentar também pode incluir excesso de comida e manipulação constante através de guloseimas ou de alimentos “saudáveis”.
Obrigar a comer pode afetar a idade adulta?
Sim, a fonte diz que obrigar a comer pode afetar a idade adulta. A fonte associa a obrigação de comer a aversão a certos alimentos, medo de alimentos novos, excessos e padrões alimentares instáveis mais tarde na vida.
É errado orientar a alimentação de uma criança?
Não, a fonte diz que a orientação dos pais é necessária para um crescimento e desenvolvimento normais. A fonte recomenda orientação em quantidades racionais e num formato suave e de apoio, em vez de força.
E se uma criança disser que está cheia e depois voltar a pedir comida?
A fonte diz que essa resposta pode ser normal. A fonte explica que o volume de comida ingerido nem sempre corresponde ao seu valor nutricional, e uma criança pode precisar de mais tempo para compreender a saciedade.
Os alimentos pouco saudáveis devem ser completamente proibidos?
A fonte aconselha a evitar a recusa radical. A fonte diz que proibições rígidas podem empurrar uma criança para mais tarde comer em excesso os alimentos proibidos e esconder esse comportamento dos adultos.